segunda-feira, 24 de agosto de 2009

London School of Performing Arts



Imagem da sessão fotográfica de sábado, para um bom início do workshop pelo qual vim para Londres :)
Sim, hoje foi o primeiro dia. The Moving Body Workshop com o professor (fundador e director da escola) Thomas Prattki. Mas antes disso ainda houve muito!
Acordei às 7h30 da manhã e saí de casa às 8h. Pensava que o Hugo ia comigo, mas adormeceu mais um tempinho. E lá fui. O metro aqui é terrivelmente quente... Será que não sabem mesmo o que é ar condicionado nos transportes publicos? É tanto metro como autocarro. Insuportável! Cinco minutos depois de estar na Northen Line já estava a pensar que ia sair dali a cheirar a suor logo de manhã. Péssimo... Mas enfim acho que consegui que isso não acontecesse. Na linha para a qual troquei a serguir já estavam menos pessoas.
Quando cheguei a Bromley-by-Bow procurei Three Mills Lane e continuei. Estava quase! O sítio ao qual cheguei, parecia um LX Factory em gigante. A entrada é um sítio lindo que amanhã vou tentar fotografar :) Tem um Tesco (o supermercado) pertíssimo - acho que também é lá que vou comprar qualquer coisa para almoçar amanhã e imeeensos pavolhões e armazéns gigantes.
Perguntei ao segurança da entrada onde estava a decorrer o Workshop da LISPA e ele realmente indicou-me o local de um workshop mas...
Começamos o workshop com uma pequena apresentação da professora e uma breve descrição de como ia ser o dia. O pavilhão era enorme e a quantidade de pessoas era tal que, ao formarmos um circulo em volta da sala, eu não conseguia distinguir nem a cor dos olhos da pessoa que estava à minha frente. (Pensei que com aquele número de pessoas num workshop de verão, a LISPA não devia ser nada como o Chapitô, como me tinham dito.) Mas enganei-me. Depois de alguns jogos para ficarmos mais à vontade e começarmos a sentir a energia do grupo, outro dos professores pediu que nos dividíssemos pelos grupos a que pertenciamos. Ora, que eu soubesse, não pertencia a grupo nenhum.
Exacto! Não pertencia mesmo a grupo nenhum. E ainda bem que percebemos isso apenas uma hora depois de eu tar infiltrada num workshop que não era o meu - era do National Theatre. Hum... sim, tinha ficado uma hora a cansar-me num workshop do qual não fazia parte e agora estava atrasada para o meu! O primeiro dia do meu workshop! Apeteceu-me partir paredes. E depois apeteceu-me chorar.
Mas quando estava quase, quase... "Sophia?!" Era um homem com um fato de treino cinzento e uma mulher super bem vestida. Tinha encontrado a LISPA! Ou a LISPA tinha-me encontrado a mim. Aquele home de fato de treino cinzeto era o professor e director da escola. Expliquei-lhes porque estava atrasada, mas não houve problema nenhum. Só começaram quando eu cheguei. E ali sim, estava numa sala muito mais pequena (muito mais parecida com o que eu tinha imaginado) e com um grupo constituido apenas por oito pessoas.
Começamos por nos apresentar. (A primeira coisa que disse foi que não tenho um bom inglês mas que ia tentar fazer-me entender e também perceber o que todos eles dizem. Riram-se de mim. Sim, o professor riu-se de mim no fim da apresentação!! Mas foi para dizer que não era nada mau.) Falei sobre a vinda para Londres, sobre o Chapitô e sobre o que gosto de fazer para além de tudo isto.
E então começamos. Um dia inteiro de exercício físico a puxar pela imaginação. Contacto-improvisação, confiança, relaxamento. Um corpo neutro, um corpo cansado até desfalecer, um corpo 'on vacations', um corpo tenso. Como contar uma história sem uma palavra, sem nenhum som, como contar uma história sem expressão. Sim, demos introdução à máscara. Uma técnica que eu nunca tinha experimentado mas que é super interessante! No fundo, o que já me pareceu ser a base da educação ali, tal como o que diz no site, é mesmo: olhar e interpretar o mundo de formas diferentes. Porque tal como cada pessoa vê cada situação à sua maneira, a situação em si tem mil formar diferentes para ser vista.
A maior moral de hoje: na arte não existe um 'certo' ou um 'errado'. As diferenças que cada um oferece à criação de algo passam apenas pelas mil maneiras de ver e interpretar o mesmo.

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